04 agosto 2008

O professor de hoje deverá ser o aluno de amanhã

O professor nos dias de hoje se vê motivado a inserir o computador em sua metodologia de trabalho levando para a sala de aula o uso dos recursos multimídias e das ferramentas digitais em razão destas enriquecerem a forma de trabalhar o conteúdo favorecendo o aluno na construção da sua aprendizagem. A variedade destes recursos é muito grande. São vídeos, áudios, sites, blogs, animações/simulações, textos e mais uma infinidade de opções que podem tanto ser acessadas quanto ser construídas pelo professor e/ou aluno.
Acontece que para o professor se sentir confortável no manuseio destas ferramentas ele tem que conhecer, pelo menos o básico, para poder não só acessar, mas mediar o potencial de uso dos alunos adequando-as ao projeto proposto.
Não estou mencionando aqui que o professor tem que saber instalar o sistema operacional e muito menos ser responsável pela sua manutenção, mas sim que este deve ter o domínio do objetivo a ser alcançado pela atividade proposta com o uso das ferramentas disponibilizadas na web.
Para conhecer as opções e o potencial destas ferramentas é necessário que os profissionais da educação estejam em constante processo de aprendizagem. A capacitação para o uso destes recursos deve colocar o professor na condição de aluno que está ali para aprender a conhecer, a utilizar e a construir sua autonomia quanto a disponibilizar as Tics como mais um recurso no processo ensino/aprendizagem.
Nada parecido com as aulas formais do curso de informática em que o aluno tem primeiramente que aprender a mexer no FrontPage, que de repente nunca virá a usar, para depois aprender o tópico seguinte e assim sucessivamente. Ele tem sim que iniciar seu aprendizado enfocando os recursos passíveis de uso em sala de aula. O aprendizado tem que ser significativo, caso contrário, não acontecerá.
O professor ao iniciar o seu processo de aprendizagem na posição de aluno atuará como protagonista de suas produções uma vez que só se aprende a mexer no computador, mexendo e experimentando. A capacitação deverá unir a teoria à prática e não se limitar somente ao conteúdo teórico como normalmente acontece. A formação continuada deve ser iniciada desde o “como ligar o computador” uma vez que a grande maioria dos docentes não é nativo digital, e muitos nunca ligaram um computador. Este “começar pelo começo” motivará o docente a interagir com a máquina superando possíveis barreiras pré-existentes, além de abrir caminho para futuras perguntas, que na maioria das vezes ficam recolhidas, face ao receio de tornar público o não conhecimento do manuseio do computador.
Ao se sentir aluno e desfrutar de uma aprendizagem interativa, o professor perceberá que com esta didática ele teve oportunidade de aprendizado e lhe abrirá um novo horizonte acabando por mudar a sua maneira de atuar em sala de aula incentivando o aluno a experimentar e a produzir. Agindo assim estará se libertando da metodologia arcaica conteudista, e passará a incentivar a autonomia e autoria do aluno desvencilhando-se de vez do mito de que todos têm que aprender o mesmo conteúdo, no mesmo processo, no mesmo ritmo, seguindo o mesmo itinerário. Ao vivenciar esta experiência, no momento em que retornar à sua posição de docente, não correrá o risco de adotar o mesmo comportamento anterior em que construía o conteúdo multimídia e o disponibilizava na internet para que o aluno somente o acessasse, sem promover qualquer tipo de interação.
Esta mudança de paradigma propiciará que seu foco passe a ser o aluno (individualidade), levando em conta a diversidade e a não massificação no processo de aprendizagem, propiciando a construção da autonomia deste aluno bem como o desenvolvimento de competências, além é claro de motivar a interatividade quesito fundamental no uso da Web.
O ideal será quando a escola permitir que se leve para a sala de aula o comportamento que se adota na web permitindo que os alunos possam ser criativos, responsáveis, autônomos, interativos e produtivos respaldados no desenvolvimento das quatro competências básicas descritas por Jacques Delors: pessoais, relacionais, cognitivas e produtivas, promovendo o desenvolvimento das inteligências múltiplas favorecendo, assim, a formação de indivíduos capacitados.
Texto extraído do Boletim Informativo Cultura na Rede de Julho de 2008
Cybele Meyer Escritora, Advogada, Artista Plástica, Pós-Graduada em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior.
Site: www.cybelemeyer.com.br
E:mail: cybelemeyer@yahoo.com.br

2 comentários:

Isabel Cristina disse...

O texto é muito interessante porque veio acrescentar mais uma pauta nos meus assuntos de HTPC, onde venho debatendo com minhas professoras como que as novas tecnologias da informação e da comunicação estão promovendo uma revolução em sala de aula e que elas precisam se atualizar. Vejo muito resistência por parte de muitas ( principalmente as com mais tempo de carreira).Entendo que a escola tem um papel fundamental na universalização do acesso às TICs e que nós educadores devemos nos atualizar.

Cultura na Rede disse...

Isabel!
Grandiosa contribuição na rede colaborativa. Entendemos que é pertinente as discussões principalmente aquelas que buscam novas formas de aprendizagem, não importa quais os meios disponíveis.Entretanto, é necessário mediar as informações, processá-las e transformá-las em conhecimento.
Abraços
Luiz