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14 junho 2011

Diferenças, aprendências e resistências em tempo de escola para todos

Por Elis Zampieri

Pensar em inclusão passa por pensar em uma série de atravessamentos e compreensões que vamos construindo nas relações sociais que estabelecemos. Avaliar como pensam os professores e
percebem a diferença em sala de aula parece ser análise relevante para o melhor entendimento de questões como aprendizagem e desenvolvimento de sujeitos que necessitam da interação sem que lhe sejam negadas suas especificidades.

Perceber que existem diferentes maneiras de olhar a diferença pode expli carporque para um mesmo sujeito podem-se entrever possibilidades ou dificuldades.

A sociedade, e a escola como produção desta, definiram ao longo do tempo padrões, normalizações, lugares e posições que embora pareçam produções naturais são criações sociais que definem e subjetivam o outro. Temos aí, os que aprendem e os que não aprendem os que possuem condições de e os que não acompanham os inteligentes e os fracassados, os que avançam e os repetentes, os destaques e as escórias.

Uma escola competente é a que forma indivíduos competentes. Competência lida aqui como a capacidade de se sobressair, de competir, de formação do indivíduo cientificamente preparado dotado de habilidades cognitivas que permitam o acesso aos bens produzidos e de capacidade de construir inteligentemente meios de sobrevivência.

Desvaloriza-se e menospreza-se na maioria das vezes habilidades outras que não estas. A cognição como capacidade que encontra-se no topo da pirâmide educacional, estando todas as demais habilidades numa escala inferior.

O sentido que se dá, assim para competência é também uma invenção social, enredada em fortes relações de poder definida por um eu superior, “normal”, impositivo. Quando o professor se refere ao aluno dizendo “ele não aprende”, está querendo dizer: ele não aprende o que lhe estou ensinando, da forma como eu estou lhe ensinando e no tempo que estou determinando, o que não é por si só condição para o fracasso.

Esvaziar-se dessa construção negativa dos sujeitos em situação de aprendizagem, é entender que o discurso da não aprendência é um discurso inócuo, vazio, acientífico e que revertê-lo pressupõe desnaturalizar verdades, rever conceitos e buscar alternativas de (im)permanência dos modos de
ser e estar em sala de aula, “é pensar que os diferentes aprendem de uma forma peculiar e que mais do que diagnósticos precisamos problematizar e negociar outras representações para estes sujeitos.

Representações que nos permitam pensar e ver como legítimas outras formas de ensinar e aprender indicadas pelos próprios sujeitos, forjadas nas relações com esses grupos culturais” [Fabris e Lopes, 2000].

Nesse sentido a diferença precisa ser lida não como oposto de igualdade. O que é diferente, não é pois aquilo que não é igual, mas aquilo que não busca a homogeinização no mesmo, mas quer manter e ver reconhecidas suas especificidades. Não é algo a ser eliminado, completado, ou corrigido. Não sao, os diferentes, sujeitos que devam apenas serem respeitados ou tolerados, uma vez que são estes, princípios fundamentais à todo ser humano.

O próprio termo inclusão remete a algo que estaria fora. Não se nega aqui, a existência desse fato, o que se propõe é a problematização de questões para as quais não existem embates. O problema da diferença não está posto no seu âmago, uma vez que sendo todos diferentes, é um signo da humanidade, mas reside na construção social e na compreensão desta enquanto falta, imcompletude, algo a ser tolerado. O diferente traz em si, aquilo que eu igual não desejo, e que como tal precisa ser corrigido, modificado, normalizado para que este possa, como eu, estar dentro, fazer parte.

Para normalizar é preciso, portanto, reforçar no aluno aquilo que lhe falta, trabalhar conceitos e habilidades que este ainda não alcança recuperar. Ou quando isto não acontece repetir, até que este consiga um mínimo necessário ou quando, percebendo-se que não atingirá o esperado, empurrá-lo para a série seguinte. Assim perpetua-se na escola espaços de não aprendizagem para os diferentes e reforça-se o estigma de fracassado que passa a fazer parte da identidade desses alunos.

Não se trata aqui de negar os deficits cognitivos. Eles existem. Não se trata também de induzir ao abandono intelectual aqueles que, por algum motivo não apresentam condições de aprendizagem da forma como acontece com a maioria dos alunos que recebemos em nossas escolas. Trata-se sim, da não generalização do termo deficiência. Ninguém é deficiente em tudo e todas as deficiências são singulares. É necessário, pois abrir espaços e apresentar possibilidades de avanço, buscando formas alternativas que não estejam vinculadas a um padrão. Trabalhar os sujeitos como seres únicos e aprendentes em potencial, desde que sejam reduzidas as ações de enquadramento e dadas as condições devidas para a aprendizagem, ultrapassando como nos diz Paulo Freire, a consciência ingênua que faz do nosso fazer pedagógico um ato descompromissado, sem reflexão, sem crítica, atrelado à permanência e à tradição.

Bibliografia:

LOPES, Maura Corcini; DAL’IGNA, Maria Claudia (org.) In/Exclusão: Nas Tramas da Escola. Editora ULBRA, Canoas, 2007

Texto publicado originalmente no
blog
SobreEducação

Sobre o autor:

Elis Zampieri é pedagoga, com especialização em Educação Infantil e Séries Iniciais e em Educação Especial. É autora do blog “Sobre Educação”e moderadora do grupo “Educação em Rede”

07 maio 2008

Núcleos de Tecnologias Educacionais em Santa Catarina

Encontram-se distribuídos por todo estado de Santa Catarina 33 Núcleos de tecnologias Educacionais, sendo 31 instalados junto as Gerências de Educação das Secretarias de Desenvolvimento Regional com abrangência total nos 293 municípios catarinenses. Complementando a cobertura temos, ainda, dois NTEs municipais instalados em Florianópolis e Jaraguá do Sul.Desta forma e com esta infra-estrutura promovemos o uso pedagógico das tecnologias da informação e da comunicação nas escolas de educação básica das redes públicas. Em construção